A gente já nasceu com conhecimento de causa. Já enxergava de longe a
intolerância eloquente tomando conta da atmosfera. A gente já sabia que tudo poderia ser um tiro
no escuro. Tentava se agarrar a todos os laços pra sentir a ilusão da segurança
em ser compreendido. A gente pula de precipícios com a garantia do para-quedas nos sustentar antes do choque com a
realidade. Nós inventamos profecias diárias para nos convencer que a vida não é
essa coisa sem graça caminhando por aí. Nossa essência carrega nossa missão,
que trás junto com ela um nó na garganta que abre os olhos e cega,
permanentemente.
Nós somos os que sempre acreditam em alguma coisa simplesmente pra não
enlouquecer em um mundo de doentes.
Nós seríamos capazes de qualquer coisa que desse garantia que o mundo
não vai ser capaz de matar os olhos de esperanças em uma tarde de inverno.
Nós acordamos cedo demais. Andamos por aí vidrados em qualquer coisa
que não seja a verdade alheia. Carregamos no peito a bandeira estendida de quem
acredita em outro final.
Lutamos com a covardia em frente ao espelho todos os dias pra não se
deixar levar. E queremos em troca o gozo da esperança, da crença em uma
realidade ao avesso.
(Renata Souza)

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